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Caro leitor,
A APODEMO associou-se à ESOMAR para assinalar o Dia Internacional dos Estudos de Mercado, celebrado a 2 de maio, aproveitando para chamar à atenção de que a utilização da Inteligência Artificial nos estudos de mercado introduz novas exigências no setor, obriga a transparência junto dos clientes e a maior rigor na interpretação e divulgação de resultados.
A integração de Inteligência Artificial e automação alterou o ritmo e a escala da investigação. A recolha de dados tornou-se mais rápida e a análise mais sofisticada. Em paralelo, plataformas de research e analytics ganharam peso, com o foco a deslocar-se para a capacidade de interpretar e transformar dados em decisões.
Esta conjuntura está também a redefinir o perfil dos profissionais do setor. Já não basta recolher dados. É preciso saber analisá-los, extrair insights e traduzi-los em decisões. O domínio de metodologias digitais, como web analytics ou social listening, passa a ser requisito. E a entrega de relatórios deixa de chegar. O que se espera é capacidade para transformar informação em estratégia.
É neste contexto que lançamos a formação no dia 28 de maio, Boas Práticas, Riscos e Utilização Responsável da IA no Marketing: uma sessão online, prática e orientada para quem quer usar IA generativa com critério. Em duas horas, exploramos não só o potencial da IA na criação de conteúdos, análise e otimização, mas sobretudo os riscos — do enviesamento à proteção de dados — e as boas práticas essenciais para garantir que a tecnologia apoia decisões, sem substituir o pensamento crítico.
No âmbito da proteção de dados, salientamos o lançamento, no passado dia 15 de abril de 2026, do site oficial da Rede Lusófona de Proteção de Dados Pessoais (RLPD). Esta rede contribui para um fortalecimento da cooperação entre países irmãos (Angola, Brasil, Cabo Verde, Macau, Portugal e São Tomé e Príncipe) ligados por relevantes laços históricos, tendo em vista a maior capacitação em prol da defesa do direito fundamental à proteção de dados pessoais, e princípios e liberdades fundamentais conexos, imanentes a um Estado de direito democrático.
Neste contexto de dinamização e aprofundamento das práticas de proteção de dados, o Comité Europeu para a Proteção de Dados (EDPB) lançou uma consulta pública, convidando à apresentação de comentários sobre as Orientações 1/2026 relativas ao tratamento de dados pessoais para fins de investigação científica.
Estas orientações assumem particular relevância para o setor da investigação de mercado, de opinião e social, ao apresentarem uma interpretação, a nível da UE, sobre a forma como o RGPD se aplica à investigação científica. Entre outros aspetos, incluem esclarecimentos sobre o que constitui «investigação científica», a aplicação das salvaguardas previstas no artigo 89.º, o recurso a fundamentos jurídicos como os interesses legítimos e o consentimento, o tratamento posterior para fins de investigação, as obrigações de transparência e a repartição de responsabilidades nos casos em que estão envolvidos vários intervenientes.
Esses comentários devem ser enviados até 25 de junho de 2026, utilizando o formulário disponibilizado. Participe!
Por outro lado, no domínio das políticas setoriais e da promoção de boas práticas organizacionais, o Turismo de Portugal lançou o Guia para a Promoção da Diversidade, Equidade e Inclusão no Turismo, uma ferramenta prática que apoia empresas e profissionais na adoção de boas práticas inclusivas, desde a gestão de pessoas à comunicação com clientes, reforçando o compromisso com um setor mais inclusivo, sustentável e competitivo.
| ESTUDOS
Segundo o estudo da Gallup International Association, realizado em Portugal pela Intercampus, 68% da população portuguesa considera dois filhos o número ideal, uma percentagem mais elevada do que a observada, em média, na Europa Ocidental (63%) e da média global (54%).
Realizado em 61 países, o inquérito revela ainda que a percentagem de portugueses que consideram não ter filhos como opção ideal mantém-se inalterada nos 3% desde 1980. Um contraste significativo face a outros países desenvolvidos, onde esta preferência tem vindo a aumentar de forma consistente.
O estudo analisou também a perceção dos cidadãos sobre o crescimento demográfico. Em Portugal, as opiniões dividem-se de forma equilibrada. 35% consideram que a população cresce demasiado depressa, outros 35% defendem que não cresce o suficiente e 26% entendem que o ritmo atual é adequado. Este equilíbrio contrasta com a Europa Ocidental, onde predomina a ideia de crescimento excessivo.
O Relatório Digital 2026 Mid-Year Global Update – publicado em parceria entre We Are Social e Manochi revela que a adoção da IA já é consideravelmente mais ampla do que as notícias sugerem e todos os dias milhões de novos utilizadores continuam a descobrir a IA.
O número global de utilizadores aumentou mais de 1,4 mil milhões entre abril de 2025 e abril de 2026, resultando numa impressionante taxa anual de crescimento de 141%.
Na amostra da GWI, 58,8% dos utilizadores indicaram que a principal motivação para usar a IA era a de "encontrar informações", seguida de "obter conselhos sobre problemas”, com 37,8% motivação, enquanto 37,0% referem usar essas ferramentas para "aprender ou melhorar habilidades".
O novo estudo da ConsumerChoice sobre o panorama do Comércio Eletrónico em Portugal revela que a confiança, a segurança e a experiência do utilizador são aspetos fundamentais nas decisões de compra online num contexto de crescimento contínuo do e-commerce. De acordo com o estudo, o comércio eletrónico tem vindo a consolidar a sua relevância entre os consumidores portugueses, com 63% dos inquiridos a afirmar ter aumentado as suas compras online nos últimos dois anos, enquanto 32% realiza compras online com regularidade mensal.
| NÚMEROS
Segundo dados do relatório REDUNIQ Insights, da UNICRE, o consumo em Portugal aumentou 9% em 2025, impulsionado sobretudo pela procura interna.
A faturação gerada por cartões nacionais registou um crescimento de 12% face ao ano anterior, contrastando com a subida mais moderada de 2% no consumo estrangeiro. O número total de transações cresceu 10%, enquanto o valor médio por compra recuou 1% face a 2024, sinalizando uma mudança no padrão de consumo. Os consumidores estão a realizar mais compras, mas de menor valor, num contexto de maior controlo orçamental.
Por setores, os combustíveis lideraram o crescimento, com uma subida de 35%, seguidos pelo retalho alimentar tradicional (19%) e pela saúde (16%). A restauração cresceu 5%, abaixo dos 12% registados em 2024, enquanto a hotelaria e atividades turísticas recuaram 5%.
O relatório da Whistl, indica que a forma como os consumidores fazem compras online está a mudar. 57 % dos consumidores afirmam que uma política de devoluções clara é o fator mais importante no que diz respeito às entregas, superando o custo (55 %); 3 em cada 5 consumidores do Reino Unido afirmam ter dificuldade em contactar um agente humano; 1 em cada 3 pessoas da Geração Z e da Geração Y já comprou um produto com base em recomendações da IA de última geração, enquanto 35% dos consumidores já visitaram uma loja pop-up de uma marca online.
| CONJUNTURA
Conforme análise do INE do final do mês de abril, o indicador de confiança dos Consumidores diminuiu nos últimos três meses, registando em abril o valor mais baixo desde novembro 2023.
A evolução do último mês resultou dos contributos negativos das opiniões sobre a evolução passada da situação financeira do agregado familiar e das perspetivas sobre a evolução futura da situação financeira do agregado familiar e da situação económica do país.
Em sentido contrário, as expectativas sobre a evolução futura da realização de compras importantes por parte das famílias registaram um contributo positivo.
Os saldos das opiniões dos Consumidores sobre a evolução passada da situação financeira do agregado familiar e da situação económica do país diminuíram nos últimos três meses, de forma significativa em abril, mês em que registaram a maior diminuição desde abril e maio de 2020 respetivamente.
O saldo das apreciações sobre a evolução passada dos preços aumentou de forma significativa em abril, registando o maior aumento desde maio de 2008, enquanto o saldo das expectativas sobre a evolução futura dos preços diminuiu, depois dos aumentos registados nos três meses anteriores, de forma expressiva em março, mês em que registou o segundo maior aumento da série, atingindo o valor mais elevado desde março de 2022.
O indicador de clima económico aumentou em abril, após ter diminuído no mês anterior. Os indicadores de confiança aumentaram no Comércio e na Construção e Obras Públicas, tendo diminuído na Indústria Transformadora e nos Serviços.
Boas leituras e reflexões!
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