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Caro leitor,
Fevereiro inicia-se com uma nova composição da Direção da Apodemo. Na sequência da saída da Ezfy, a Marktest, representada por Esperança Afonso, assume a Presidência, enquanto a Boutique Research, representada por Sofia Abecasis, passa a exercer a Vice-Presidência. Vítor Vieira, em representação da Spirituc, mantém o cargo de Tesoureiro e Clara Francisco, em representação da Intercampus, permanece como vogal. A Nielsen integra agora a Direção, com Ricardo Maia a assumir funções como novo vogal.
No plano nacional, a breves dias da segunda volta das eleições presidenciais, o tema das sondagens volta a ganhar relevância.
António Salvador, Managing Director da Intercampus, falou com o jornal Eco a propósito de sondagens eleitorais. Do seu ponto de vista, as sondagens são sempre importantes porque dão informação ao cidadão, alertando que a atividade das empresas de research não se cinge apenas às sondagens eleitorais. Tanto estudos para perceber a cor menos agradável possível para os maços de tabaco como estudos para perceber as condições de sucesso de um produto, seguem princípios metodológicos idênticos aos das sondagens. Nessa medida, “falar mal de [sondagens eleitorais] é falar mal da atividade em si”.
Na sua opinião, a reputação das sondagens não desceu para patamares diferentes relativamente ao período anterior a estas eleições. A profusão das sondagens que ocorreu na primeira volta destas Presidenciais (32, desde 20 de janeiro de 2025 até 13 de janeiro de 2026) tem a ver com o interesse dos órgãos de comunicação social por esta informação.
No site da ERC estão listadas as entidades credenciadas para a realização de sondagens políticas, assim como um conjunto de informações sobre estes estudos.
A Pordata base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, faz um retrato da evolução histórica das eleições presidenciais dos últimos 50 anos. A análise evidencia padrões recorrentes de participação, reeleição e comportamento eleitoral, mas também singularidades.
No contexto internacional, no último open Meeting de Dezembro da EFAMRO - European research federation, da qual a Apodemo é associada, foram discutidos os mais recentes desafios que os sistemas tecnológicos colocam às empresas de estudos de mercado relativamente aos estudos de recolha telefónica. Aplicações de bloqueio e identificação de chamadas, bem como novos sistemas de bots de voz baseados em inteligência artificial, estão a dificultar o contacto com os inquiridos, ao classificar ou bloquear chamadas de pesquisa legítimas.
Estes sistemas recorrem a algoritmos que analisam as chamadas e apresentam ao destinatário informações sobre o operador, reforçando a tendência de rejeição das chamadas e agravando as dificuldades do setor.
A EFAMRO realizou uma nova vaga do Moodindicator em finais de 2025, sobre as perspetivas de negócios, tanto das próprias organizações, como do mercado interno, onde participaram inquiridos de 10 países europeus. Os dados indicam que países como Grécia, Irlanda, Países Baixos, Noruega e Portugal, estavam confiantes de que as suas receitas de investigação seriam superiores às do ano anterior.
O programa de trabalho da Comissão Europeia para 2026, que define as principais medidas para reforçar a soberania, a competitividade e a segurança da União Europeia, tem como objetivos centrais o reforço da competitividade, a liderança na inovação limpa e digital, a proteção do modelo social europeu e a garantia da segurança coletiva. A Comissão sublinha ainda a importância da simplificação da legislação e da redução da carga administrativa para cidadãos e empresas.
A partir de agosto, a União Europeia vai tornar obrigatório o fim das embalagens monodoses descartáveis — como pacotes de ketchup, maionese, sal, açúcar ou azeite — nos sectores de restauração, hotelaria e turismo, no quadro do Regulamento (UE) 2025/40 sobre embalagens e resíduos.
A medida insere-se no Regulamento de Embalagem e Resíduos de Embalagem (PPWR, na sua sigla em inglês – Regulamento UE 2025/40) e faz parte de uma estratégia mais ampla de sustentabilidade para reduzir o consumo de plástico de uso único e incentivar alternativas reutilizáveis e modelos de serviço mais ecológicos.
A proibição de monodoses elimina uma das fontes mais visíveis de resíduos plásticos nos sectores da restauração e do turismo, incentivando práticas mais sustentáveis no serviço de alimentos e bebidas nos estabelecimentos europeus.
O calendário de implementação é progressivo e o PPWR prevê também — para 2030 — a eliminação de monodoses em produtos alimentares vendidos em retalho e outros sectores, incluindo cosméticos e higiene pessoal até 2032, com revisões periódicas do impacto destas medidas.
|TENDÊNCIAS
Segundo a Visa uma das principais tendências que irão moldar o sector dos pagamentos em 2026, serão os assistentes de IA capazes de pesquisar, comparar e realizar compras em nome dos consumidores. Assinalando que este deverá ser o primeiro ano em que mais de metade dos pagamentos globais será realizado através de meios eletrónicos.
|NÚMEROS
Segundo dados da GfK para a APEL, venderam-se em 2025, 14.834.320 livros, com a categoria da ficção a ocupar o 1º lugar nas preferências dos leitores. O peso por canal de livrarias/outros é de 78,5% e o de hipermercados 21,5%.
Segundo uma pesquisa da Association of National Advertisers e The Harris Poll, 71% dos profissionais de marketing dos EUA dizem que estabelecer padrões éticos e de privacidade é o principal passo para se prepararem para o comércio liderado por agentes de IA.
|CONJUNTURA
O indicador de confiança dos Consumidores aumentou nos últimos dois meses, após ter diminuído em novembro. A evolução observada resultou dos contributos positivos das perspetivas sobre a evolução futura da realização de compras importantes por parte das famílias, da situação financeira do agregado familiar e, apenas ligeiramente, da situação económica do país e das opiniões sobre a evolução passada da situação financeira do agregado familiar.
O indicador de clima económico diminuiu em janeiro, após ter aumentado nos dois meses anteriores. Os indicadores de confiança diminuíram no Comércio, na Indústria Transformadora e nos Serviços, tendo aumentado na Construção e Obras Públicas.
O saldo das opiniões dos Consumidores sobre a evolução dos preços aumentou em janeiro, após ter diminuído nos dois meses anteriores, enquanto o saldo das expectativas sobre a evolução futura dos preços aumentou em dezembro e janeiro, depois das diminuições registadas nos três meses precedentes.
O indicador de confiança dos Serviços diminuiu em janeiro, refletindo os contributos negativos das três componentes: perspetivas relativas à evolução da procura, apreciações sobre a atividade da empresa e opiniões sobre a carteira de encomendas.
Os saldos de respostas das expectativas dos empresários sobre a evolução futura dos preços de venda diminuíram no Comércio e nos Serviços, tendo aumentado na Indústria e na Construção.
Boas leituras e reflexões!
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