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Caro Leitor, Aqueles de nós que começaram a sua vida profissional nas últimas décadas do século passado, recordam um mundo consideravelmente mais simples, em todos os aspetos da vida e das empresas. Tomemos o exemplo do marketing: era possível alcançar níveis de cobertura quase totais da população, com meia dúzia de anúncios de televisão, bem selecionados, obviamente. A longevidade das marcas media-se em décadas, os ciclos de vida dos produtos duravam vários anos. A inovação em extensões de marca era escassa. A experiência e o pragmatismo tinham um papel muito relevante no sucesso das empresas, os diretores de marketing sabiam que um investimento X em comunicação tinha um impacto Y nas vendas. Os ciclos de vida dos produtos tinham poucas variáveis e eram bastante mais previsíveis. Neste cenário, as necessidades de investigação eram importantes, mas limitadas: será que os consumidores vão gostar do meu produto, como reagirão a diferentes linhas de comunicação, qual o nível de satisfação com a empresa, entre outras questões relacionadas com preço e diferenciação, por exemplo. Os estudos de mercado tinham um foco relativamente estreito, mas respondiam aos desafios da época. À medida que avançamos para o século XXI, o cenário muda drasticamente. O advento da internet, das redes sociais e a explosão das tecnologias de informação transformaram, não apenas a forma como as empresas comunicam com os seus clientes, mas também como os consumidores interagem com as marcas. A cobertura total da população não se limita mais aos meios, ditos convencionais, mas espalha-se por inúmeras plataformas digitais. A longevidade das marcas tornou-se incerta, com empresas emergentes a desafiarem gigantes estabelecidos, em questão de meses. Os ciclos de vida dos produtos encurtaram-se, exigindo inovação constante e adaptabilidade por parte das empresas. Os estudos de mercado lidam, agora, com questões muito mais complexas, como análise de big data, comportamento de novos públicos-alvo, alterações geracionais brutais, desmaterialização dos negócios, análise de comportamentos, novos canais, novos meios de comunicação e previsão de tendências com múltiplas variáveis. A APODEMO tem acompanhado de perto essa evolução, adaptando-se às necessidades do mercado e fornecendo recursos atualizados para os profissionais tanto das empresas de estudos de mercado, como das empresas suas clientes. À medida que o mundo dos estudos de mercado continua a transformar-se, estamos profundamente comprometidos em oferecer suporte e orientação ao mercado, capacitando os seus profissionais a enfrentar os desafios deste admirável mundo novo. É com este cenário de mudança e complexidade em mente que a APODEMO anuncia o seu Congresso "Antecipar o futuro, descodificar as mudanças", marcado para o dia 19 de outubro, no Museu do Oriente, em Lisboa. Este evento reunirá governantes, figuras de destaque da sociedade, profissionais dos estudos de mercado, líderes das maiores empresas nacionais e personalidades do meio académico. O congresso terá dois grandes módulos: no período da manhã "O poder da antecipação: valores e comportamentos emergentes" e à tarde "O poder da inovação: novas respostas, novas soluções". Será uma oportunidade única para explorar as novas tendências, os novos públicos-alvo, as novas tecnologias e as novas ferramentas que moldam o mundo empresarial no século XXI. Um mapa à navegação, num mundo recheado de mudança e de novas possibilidades. Estamos ansiosos para reunirmos consigo neste evento enriquecedor e para partilhar conhecimento e insights valiosos. A complexidade do mundo contemporâneo exige que estejamos preparados para antecipar e descodificar as mudanças que estão em curso. Junte-se a nós neste importante passo em direção ao futuro.
Carlos Mocho, Presidente da Direção
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