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Caro leitor,
Teve lugar no passado dia 26 de março a Assembleia Geral Ordinária da Apodemo, que aprovou as contas de 2025, bem como o plano de atividades e orçamento para 2026. Trabalhamos agora para cumprir este plano e responder às principais preocupações dos nossos associados.
No âmbito da iniciativa de Demografias da ESOMAR que visa estabelecer medidas globalmente consistentes e fiáveis para os principais conceitos demográficos utilizados em inquéritos — o Subgrupo de Rendimento desenvolveu um documento de consulta que resume as suas conclusões e recomendações sobre a medição do Rendimento e capacidade financeira em inquéritos.
Convidamo-lo a contribuir, respondendo às questões específicas colocadas e dando feedback sobre as recomendações do subgrupo até dia 9 de abril, através deste link.
Nesta edição, damos especial relevo aos festejos da ESOMAR sobre o Dia Internacional de Pesquisa de Mercado 2026 (IMRD) que se comemora na semana de 27 de abril a 2 maio. No IMRD 2026, a Esomar apresentará uma semana repleta de atividades, onde várias organizações em todo o mundo vão mostrar, através de múltiplos eventos, como a pesquisa de mercado e os insights fortalecem a confiança e ajudam a construir uma sociedade mais informada, inclusiva e equitativa.
A mesma associação leva a cabo o seu estudo anual sobre o sector que tem o apoio da APODEMO através de convite enviado aos seus associados.
Segundo o relatório do ano passado, ESOMAR Global Market Research 2025, a nível global, a indústria de insights deverá ter ultrapassado os 153 mil milhões de dólares (132 mil milhões de euros) em 2024, com projeção de atingir cerca de 165 mil milhões (143 mil milhões de euros) em 2025, o que corresponde a um crescimento global estimado de 7,5%.
Portugal ocupa a 19ª posição na Europa e a 40ª a nível mundial, com um volume de negócios de aproximadamente 89 milhões de euros. Apesar de ter descido três posições no ranking, o mercado português mantém uma trajetória de crescimento moderado, com previsão de +4,1% até 2026.
| NÚMEROS
Segundo The Business of Evidence 2026, o sector de research e análise de dados no Reino Unido atingiu um valor recorde de cerca de £18,7 mil milhões, tornando-se maior que indústrias como a música e a publicação. O sector representa cerca de 0,7%–0,8% da economia (PIB) e emprega cerca de 350 mil pessoas.
A mesma fonte indica que quatro em cada cinco (81%) compradores de pesquisa acreditam que os seus insights levam a decisões mais confiantes dentro de suas organizações, com nove em cada dez (87%) a concordarem que os resultados da pesquisa são um importante recurso estratégico que impulsiona decisões‑chave de negócios e políticas.
No social media, o YouTube consolidou-se como a maior plataforma global de media e a mais popular dos EUA, com os utilizadores a despenderem mais de 11,4 mil milhões de minutos diários com a plataforma, acima da Netflix (10 mil milhões de minutos), Facebook (5,4 mil milhões) e Instagram (4,7 mil milhões).
Segundo o relatório de MoffetNathanson, a plataforma de propriedade do Google gerou mais de 60 mil milhões de dólares em receitas em 2025, ficando acima da própria Disney.
| ESTUDOS
De acordo com o mais recente estudo da Gallup International Association (GIA), conduzido em Portugal pela Intercampus, os portugueses mantêm uma visão singularmente positiva sobre os fluxos migratórios, contrastando com o pessimismo predominante nas maiores economias da Europa Ocidental.
A perceção dos portugueses sobre a emigração distingue-se fortemente da tendência europeia. Enquanto na Europa Ocidental apenas 18% veem a saída de cidadãos como benéfica, em Portugal esse valor sobe para 52%, revelando uma visão mais positiva da mobilidade internacional. O estudo mostra que os portugueses encaram a emigração como uma oportunidade de valorização individual e de ligação ao mundo, contrastando com países como Espanha, Reino Unido ou Alemanha, onde prevalece a ideia de perda de capital humano.
Esta abertura estende-se também à imigração: 63% dos portugueses consideram que a entrada de estrangeiros beneficia o país, muito acima da média europeia, onde as opiniões estão divididas.
Apesar deste posicionamento globalmente favorável, existem diferenças importantes, com os jovens e pessoas de maior escolaridade a mostrarem avaliações mais positivas tanto da emigração como da imigração, enquanto os grupos etários mais velhos tendem a ser mais cautelosos, sobretudo em relação à entrada de estrangeiros.
Segundo o relatório da NielsenIQ sobre as Tendências para 2026 no FMCG, o mercado de bens de grande consumo em Portugal continuou a crescer em 2025, impulsionado pela estabilização da inflação e pela recuperação do consumo em volume. No entanto, esse crescimento ocorre num contexto de mudança, em que os consumidores se tornaram mais racionais, seletivos e conscientes nas suas decisões de compra.
Verifica-se uma tendência para compras mais frequentes, mas de menor valor, com maior foco em conveniência, saúde e perceção de valor, além de menor fidelidade às marcas. Neste cenário, 2026 será um ano estratégico, exigindo que marcas e retalhistas se adaptem a um consumidor mais exigente e a um ambiente ainda incerto.
O relatório «Marketing Trends 2026», da Kantar, destaca que o setor está a entrar numa nova fase dominada pela inteligência artificial, mas em que o verdadeiro diferencial continua a ser a construção de marca. A IA generativa e os agentes inteligentes vão passar a mediar decisões de compra, obrigando as marcas a serem relevantes não só para pessoas, mas também para algoritmos, através de conteúdos claros, estruturados e confiáveis.
Para crescer, as marcas terão de equilibrar tecnologia com criatividade e ligação humana, apostando em dados, confiança e relevância num ambiente cada vez mais automatizado e fragmentado.
| CONJUNTURA
O indicador de confiança dos consumidores diminuiu nos últimos dois meses, com uma forte redução em março, atingindo o nível mais baixo desde dezembro de 2023, em resultado sobretudo dos expressivos contributos negativos das perspetivas sobre a evolução futura da situação económica do país e da situação financeira do agregado familiar.
O indicador de clima económico diminuiu em março, recuando para um valor próximo do observado há um ano.
Os indicadores de confiança diminuíram no Comércio e na Construção e Obras Públicas, tendo aumentado na Indústria Transformadora e nos Serviços.
O indicador de confiança no Comércio diminuiu nos últimos quatro meses, refletindo os contributos negativos das perspetivas sobre a atividade nos próximos três meses e das opiniões sobre o volume de vendas.
O saldo das perspetivas dos Consumidores sobre a evolução futura da situação económica do país diminuiu nos últimos dois meses, de forma significativa em março, atingindo o valor mínimo desde janeiro de 2023. O saldo das expectativas sobre a evolução futura dos preços aumentou nos últimos três meses, tendo registado em março o segundo maior aumento da série e o valor mais elevado desde março de 2022.
Na Construção e Obras Públicas o indicador diminuiu em fevereiro e março, refletindo o contributo negativo das perspetivas de emprego. Em sentido contrário, o indicador da Indústria Transformadora aumentou nos últimos dois meses, ligeiramente em março, refletindo o contributo positivo das apreciações relativas aos stocks de produtos acabados e das opiniões sobre a evolução da procura global.
Também o indicador de confiança dos Serviços aumentou entre fevereiro e março, verificando-se contributos positivos nas apreciações sobre a atividade da empresa e sobre a carteira de encomendas.
O saldo de respostas das expectativas dos empresários sobre a evolução futura dos preços de venda aumentou em todos os setores, no Comércio, na Construção, nos Serviços e, expressivamente, na Indústria, atingindo neste último caso o valor mais elevado desde outubro de 2022.
Boas leituras e reflexões!
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